Aula Experimental
 
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Escrito por Suzana Silva   
Qua, 03 de Março de 2010 11:52

Como o novo sistema Play and Stay pode formar as novas gerações do tênis

A Federação Internacional de Tênis (ITF), atenta ao movimento dos tenistas na direção desta ou de outra forma de lazer, percebeu que muitas pessoas que começavam a jogar tênis acabavam parando depois de algum tempo.   Contra atacou com o sistema Play and Stay, presente no Brasil de maneira tímida desde o ano passado. Nesta nova série de artigos de instrução, vamos traduzir o sistema para todas as quadras brasileiras.

Ver um tenista profissional em ação, ter um ídolo esportivo do próprio país, quadras públicas à disposição, tudo isso influi e facilita para que alguém decida dar suas primeiras raquetadas.  Mas a permanência no esporte depende de mais alguns fatores: apoio da família, ambiente social favorável, competições adequadas e a qualidade da experiência da iniciação.

Os leitores desta renomada revista provavelmente já foram mordidos pelo “bichinho” do tênis e possuem um mínimo de controle, ou seja, já passaram da fase de “furar” bolas e de usar muito mais tempo pegando bolas perdidas do que efetivamente rebatendo-as.  Mas, e o começo?  Foi fácil?

Quando conseguiram começar, muitos adultos - três meses de infrutíferas tentativas para controlar a bolinha depois - desistiram e partiram para esportes ou atividades físicas mais fáceis, e que promovem ganhos em condicionamento físico mais rapidamente: corrida, futebol, voleibol, Pilates, e todas as modalidades de fitness.

Para crianças pequenas esse negócio de aprender o jogo de tênis era ainda mais assustador: as raquetes grandes, a quadra infinita, e as bolas de velocidade normal podem ter desestimulado muitos tenistas do futuro.  As que insistiram compõem uma geração de tenistas com empunhaduras muito extremas, pela dificuldade das crianças em rebater bolas com quique muito alto.

Completando o raciocínio do primeiro parágrafo deste artigo, o sistema Play and Stay - criado em 2008 pela ITF e propagado mais fortemente pela CBT desde o ano passado - é um dos fatores de peso para influenciar a permanência das pessoas no tênis por mais tempo.  O slogan do programa: “Saque, jogue e pontue” já diz tudo: é preciso que o tênis seja vivenciado pelo praticante em sua essência, ou seja, como um jogo, desde o dia 1. Este é o segredo da coisa.

Para crianças pequenas, e também para adultos iniciantes, a troca de bola permitida pelo sistema Play and Stay é o “pulo do gato”: mais bolas em jogo, mais deslocamentos por mais tempo, e como conseqüência mais diversão e condicionamento físico aeróbico.  

O Play and Stay usa as bolas mais lentas e os espaços reduzidos para aumentar as chances de pessoas - com ou sem experiência esportiva anterior - conseguirem trocar mais!  Todo o sistema é baseado neste princípio de facilitar o aprendizado: há quatro velocidades de bola e três tamanhos de quadra, que vão se apresentando de modo progressivo de dificuldade (veja quadro).

Com a bola mais lenta (vermelha, 25% da velocidade da bola normal), no espaço aproximado da área de saque, iniciantes de todas as idades conseguem trocar muitas bolas, desde o primeiro dia.  E a idéia central do sistema fica garantida (saque jogue e pontue desde a primeira aula!). 

Conforme o praticante evolui, pode-se aumentar o tamanho da quadra e a velocidade da bola.  Um professor de tênis familiarizado com o sistema poderá ajudar nessa transição.  O importante é que seja mantida a possibilidade de trocas de bola, com domínio pelos praticantes.  É outra coisa praticar com amigos usando a bola correta, a raquete e a quadra de tamanhos adequados para a envergadura da criança e nível de habilidade!

Professores antenados já usam bolas mais lentas em suas aulas de crianças iniciantes há algum tempo (aqui no Brasil são fabricadas aquelas bolas com menor pressão, normalmente de duas cores), porque perceberam que além de permitir maiores trocas de bola e a sensação do jogo, também contribuem para o aprendizado mais rápido da tática e da técnica. 

Explico: sendo mais lentas, essas bolas permitem que o aluno acerte melhor a percepção do tempo e acione a preparação do golpe, fundamental para o contato firme e à frente do corpo, muito importante para que a transferência de peso na direção do golpe seja realizada E ainda: com o quique mais baixo do que da bola normal, esta bola permite que a criança use uma empunhadura mais confortável e adequada à anatomia do seu corpo.  O maior domínio sobre bola permite à criança explorar os espaços vazios da quadra e fazer o adversário correr mais, subir à rede...já pensou?

Mas, atenção: as duas cores dessas bolas antigas nada têm a ver com as bolas do Play and Stay.  As bolas oficiais do sistema possuem indicação no tubo ou no invólucro indicando Vermelha (25% da velocidade da normal), Laranja (50%) e Verde (75%), e já podem ser encontradas nas principais lojas de material esportivo especializadas em tênis.  As bolas de duas cores nacionais seriam intermediárias entre a vermelha e a laranja, aproximadamente.

Para saber mais, entre no site da CBT (www.cbtenis.com.br).  Lá, além do link para o site do sistema (www.tennisplayandstay.com), você ainda pode acompanhar a aplicação disso tudo nas competições nacionais até 10 anos.
Lembrando: o sistema facilita o aprendizado para adultos e crianças.

Nos próximos artigos, teremos mais dicas sobre o novo sistema. Play!

 
 
Wilson
Le Petit Tennis
ITN
Revista Tênis
CBT