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O assunto é ativação! Uai, mas estar em quadra já não significa que estou ativo sô?, diriam os amigos mineiros. Acontece que há procedimentos específicos de ativação que, bem usados, também aperfeiçoam a performance do tenista. De acordo com Becker Jr. (1998) as técnicas de ativação formam um conjunto de estratégias cujo objetivo principal é controlar a ativação fisiológica, buscando, em geral, o aumento da mesma. Há momentos da competição em que o atleta necessita de baixos níveis de ativação, conseguidas através de técnicas de relaxamento, e em outros momentos, este atleta precisa de uma ativação maior. O tenista que modula sua ativação do relaxamento à máxima ativação conforme sua necessidade tem muito mais chances de desempenhar seu nível de jogo plenamente (ver no Faça Fácil abaixo). Ainda segundo Becker Jr., entre os indicadores de aumento da ativação positiva (ou seja, que aumentam as sensações positivas que acompanham as realizações desportivas), temos: 1. respiração: freqüência respiratória aumenta e inspiração fica mais forte; 2. movimento: aumenta a intensidade do movimento; movimento fica mais rápido; 3. imaginação: aumentam imagens de movimentos rápidos e dinâmicos, e de situações de força; 4. linguagem interna: aumentam as frases estimulantes (eu quero, eu posso) e as palavras chave positivas (garra! vamos!). Para o leitor ter uma idéia de como as ações de ativação variam de um jogador para outro, há desde o tenista austríaco Thomas Monster Muster saltando sem parar um banco sueco para lá e para cá (aquele banco de madeira baixo e comprido, em geral encontrado em ginásios esportivos e vestiários) antes de entrar na quadra, e o “tourinho” Rafael Nadal dando seus saltitos de boxeador antes do jogo começar ou nas viradas, até tenistas que preferem ouvir música clássica em frente a uma bela represa enquanto se alongam (como esta que vos escreve antes de partidas no saudoso Clube de Campo do Castelo em São Paulo). O importante é que o jogador se conheça bem: há aqueles que precisam ativar a respiração e soltar a ansiedade em movimentos rápidos e bruscos, e outros que precisam modular a respiração, de modo a diminuir a ansiedade, para entrar em quadra com mais possibilidades de êxito. Mesmo durante a partida, ativar-se positivamente é fundamental. Quem já não saltitou entre um ponto e outro, buscando uma reação física positiva quando o adversário acabou de passá-lo no placar? Ou que não parou e usou todos os segundos a que tinha direito sentado na virada com toalha na cabeça para isolar-se do mundo e retomar sua linha de jogo? FAÇA FÁCIL: 1. RITUAL PRÉ-JOGO ENVOLVE ATIVAÇÃO: Se você tem um jogo às 9 h da manhã, deve acordar pelo menos três a quatro horas antes, dar um trote leve de quinze minutos e se alongar antes do café da manhã, e fazer o ultimo bate-bola (se não der, paredão ou outra forma de ativação) no máximo vinte minutos antes do jogo, para que o aquecimento se mantenha. Dez minutos antes do jogo tem lugar a ativação predominantemente mental: palavras de encorajamento, visualizações, respirações profundas, enfim, o que você e seu treinador percebem que funciona melhor para você.
2. DURANTE A PARTIDA VOCÊ PODE USAR A ATIVAÇÃO POSITIVA: Quando estiver perdendo, ou sentindo seu corpo preguiçoso, saltitos no lugar, antes de sacar ou de receber o saque, acompanhados de palavras chave positivas (vamos, garra, você pode, etc.) fazem muito por seu corpo e por sua mente. A idéia é se ativar, e não se exaurir, portanto, use sua energia corretamente!] 3. NAS VIRADAS VOCÊ TAMBÉM PODE SE ATIVAR. Parar ou não nas viradas depende do momento psicológico e, sempre, do seu preparo físico. Normalmente os tenistas usam as viradas para se hidratar, se alimentar, descansar e pensar na estratégia do jogo. Mas, este momento pode ser usado também como ativação. Se você está buscando uma partida, o momento é bom, você está com “gás”, pode se hidratar mais rapidamente e virar de lado com saltitos, andar no fundo da quadra, com o olhar nas cordas da raquete, visualizando suas melhores jogadas. Ou seja, “acelerar” seu adversário. Do mesmo modo, se estiver perdendo, ative-se de maneira mais lenta, procure usar todo o tempo que puder sentado para respirar fundo, se concentrar, e pensar como fará para virar o jogo. Ou seja, “quebre o ritmo” de seu adversário. 4. ENTRE AS PARTIDAS, NOS TORNEIOS, VOCÊ PODE MANTER SUA ATIVAÇÃO. Torneios interrompidos por chuva, partidas atrasadas, falta de quadras para treinar durante o torneio: estes problemas são comuns, principalmente na vida dos tenistas infanto-juvenis que viajam pelos circuitos brasileiros e sulamericanos. Manter ativação entre os jogos, principalmente o foco mental, parece impossível. Estabeleça com seu treinador uma rotina de exercícios, respirações, visualizações e atividades de relaxamento que você possa manter diariamente, independente de ter quadras ou tempo bom. Bons jogos! Bibliografia: Becker Jr, B; Samulski, D. Manual de Treinamento Psicológico para o Esporte. Porto Alegre: Feevale, 1998.
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