Aula Experimental
 
Pensamento estratégico PDF Imprimir E-mail
Escrito por Suzana Silva   
Seg, 23 de Novembro de 2009 14:29
Pensamento estratégico: qualidade mental básica do tenista campeão 

“Se eu sacar na esquerda, que é o ponto fraco do meu adversário, terei mais chances de vencer o ponto, pois ele devolverá uma bola mais defensiva e poderei tomar o ataque do ponto”.  

“Se eu conseguir abaixar bem a bola na direita da minha adversária, que empunha a raquete com pegada muito extrema, causarei mais dificuldade e ela acabará errando ou encurtando”.

“Se eu fizer meu adversário fazer contato com a bola durante a corrida, terei mais chances de sucesso porque ele é muito ruim neste fundamento”.

Estes exemplos acima são apenas para ilustrar o que pode passar na cabeça de um tenista que pensa estrategicamente.

Estratégia vem do termo em Latim strategia, e significa “a arte de planejar e executar movimentos e operações de tropas”.  Se a Olimpíada foi criada na Grécia como uma tentativa de que as cidades não precisassem mais de guerras para medir forças, dá para entender como o esporte, desde sempre, usou e usa até hoje termos militares em seu vocabulário cotidiano. O que nos importa para este artigo é que estudar os movimentos do adversário, seu estilo de jogo, pontos fortes ou fracos, já tem sido apregoado por todos os bons treinadores do mundo das raquetes.  

O que talvez o leitor não saiba, é que a determinação de uma estratégia de ação depende da capacidade mental de pensar hipoteticamente (“se isto, então aquilo; se aquilo, então isso”).  As pessoas podem usar sua imaginação ou pensamento abstrato para visualizar ações e suas conseqüências.  Jean Piaget, biólogo suíço que influenciou gerações de psicólogos e pedagogos aprofundando seus estudos sobre o desenvolvimento do pensamento humano, afirma que as crianças desenvolvem esta capacidade por volta de 10, 11 anos.  

A maneira como o jogo de tênis é ensinado para crianças e adultos pode facilitar ou dificultar o desenvolvimento desta capacidade.  Ao participar de aulas onde a metodologia de descobrimento guiado é utilizada, o praticante reflete sobre a prática e sobre as escolhas táticas e suas conseqüências desde o início, o que contribui para a compreensão mais ampla jogo.  Os praticantes estarão envolvidos integralmente com a modalidade, com o corpo e com a mente.

O contrário disto são pessoas que ainda aprendem apenas pela pura repetição mecânica dos gestos esportivos, sem reflexão.  Estas poderão até desenvolver movimentos “perfeitos”, mas perderão de adversários mais “espertos”, com visão tática do jogo, mesmo que com os golpes “feios” ou técnica limitada.  Qualquer tenista que se preze já presenciou uma cena destas, onde um tenista que joga “feio” venceu outro que joga “bonito”, mas que não possui conhecimento tático algum.

O pensamento hipotético é fundamental para que você planeje um esquema tático geral para ser usado contra um adversário específico, para que você possa planejar seu calendário de competições, para que você escolha jogar agressivamente ou conservadoramente no tie-breaker seguindo o que você faz de melhor, enfim, para cada passo de sua jornada competitiva.

Este pensamento ocupa a mente do Tenista com T maiúsculo durante toda a partida.  É nisso em que ele se concentra: como vencer, como resolver cada problema que o adversário lhe apresenta.

FAÇA FÁCIL:
1. Sempre que puder, estude o jogo adversário antecipadamente.  Grandes campeões assistem seus adversários em ação ao vivo ou em gravações.  Anotam que tipo de padrão de jogo eles possuem, quais as bolas que causam maior dificuldade, etc. Caso não tenha tido oportunidade de estudar o adversário antecipadamente, use o bate-bola para isso, variando as bolas e percebendo como o adversário reage.
2. A partir do que foi visto, monte um padrão de jogo: desde o seu saque, mais uma ou duas bolas, e a partir da resposta de saque mais uma ou duas bolas.  Ex: sacar aberto e cruzar a primeira bola no ângulo; ou responder no fundo e no meio e em seguida atacar a esquerda, etc.
3. Pratique esses padrões no treino.  Por exemplo: o jogo só começa depois que você conseguir sacar aberto e cruzar a primeira bola.
4. Use as viradas para reforçar seus padrões táticos mentalmente, visualizando as jogadas que estiverem funcionando, ou para mudá-los, caso esteja em larga desvantagem no placar. 

É muito mais fácil se “concentrar” com este objetivo em mente: “Como vencerei fulana? Quais seus pontos fracos? Como poderei atacá-los? Como usar meus pontos fortes com esta adversária?”.
Ao manter o foco na estratégia, o resto do mundo desaparece, e você e a bolinha tornam-se apenas um, e o jogo cumpre seu objetivo: traze-lo para um mundo à parte, e entretê-lo na realidade do dia-a-dia.

Leituras recomendadas:
Gilbert, B. Winning Ugly.  New York: 
Kamii, C.; DeVries, R.  Jogos em grupo na Educação Infantil: implicações da teoria de Jean Piaget.  São Paulo: Trajetória Cultural, 1991
 
 
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